Pessoal,
Nesta
publicação, convidei para dividir o talento conosco, uma pessoa muito
conhecida. Hoje bateremos um papo com Marcos Luciano Corsatto. Ele vai nos
contar um pouco sobre um tipo de arte até então desconhecida por muitos, em que
ele é fera.
Bom dia, Marcos! Seja bem-vindo ao nosso blog!
Você pode nos falar um pouquinho sobre sua arte?
Oi, Leila. A
arte que eu adoro e à qual eu me dedico é a Literatura. Em especial, à
literatura poética. Eu adoro ler e escrever poesia. Eu pertenço à Academia Botucatuense
de Letras e, por coincidência, meu patrono é um dos grandes poetas brasileiros:
Castro Alves. Confesso que desde criança, quando já comecei a escrever as
minhas coisas (aqui no La Salle, inclusive), eu já tinha preferência pela
poesia. Eu sei que nem todo mundo gosta, até porque, em geral, a poesia tem uma
imagem, no senso comum, de ser um texto muito sentimental. Pode ser; com
certeza é. Mas não é somente esse tipo de poesia que existe. No meu caso, o que
eu escrevo tende mais ao caráter filosófico ou humorístico. De fato, o que eu
mais gosto é de mexer com os múltiplos significados que as palavras podem ter
ou expressar, de acordo com o contexto; é perceber o poder que as palavras têm,
quando agrupadas ou ordenadas de certa maneira, atingindo o sentido existencial
das pessoas. Para mim, isso é poesia. E é isso que eu tento fazer.
Percebi, apreciando seu trabalho, que você tem
brincado muito com a imagem... Como você vê esse entrelaçamento entre a arte
literária e a arte visual?
Toda arte, a
meu ver, passa pelo olhar, seja ele da maneira que for. Toda obra de arte entra
no coração da gente primeiro pelos olhos. Não sei se esta minha maneira de
pensar reduz muito o que é a arte, mas, para mim, tudo se resume em olhar. A
arte é, essencialmente, imagem. Palavras e letras são imagens, são desenhos;
cinema é imagem em movimento; pintura é imagem criada; escultura é imagem
tridimensional; música é imagem em som e vibração; dança é imagem em ritmo...
Por isso, sempre que eu posso e que a temática me permite, eu tento dar um
toque mais visual naquilo que eu escrevo. Acredito, portanto, que esse
entrelaçamento é, na verdade, um enriquecimento, qualquer que seja a arte.
Em que campo da arte você gostaria ainda de se
aventurar? Por quê?
Meu
encantamento agora é com as inúmeras possibilidades que as diversas tecnologias
colocam em nossas mãos. Fico imaginando como criar poemas em movimento,
utilizando recursos visuais diversos. Uma coisa que eu percebo que tem
ocorrido, nessa linha de pensamento, é quando alguns artistas famosos vão
lançar uma música nova. Antes de divulgar o clipe, alguns têm publicado em seus
canais no YouTube os vídeos somente com a letra das músicas. Olhem, por
exemplo, estes clipes: The End of Night, da cantora inglesa Dido; Guardian, da canadense Alanis Morissette; e Limpio, cantada em espanhol pelo
dueto inusitado da italiana Laura Pausini com a australiana Kylie Minogue. Não
achei clipes em português... São exemplos do que eu gostaria de construir com
meus textos.
Você pode nos contar de onde vêm suas influências na
literatura?
Como eu disse,
eu leio muito poesia. Leio e releio o mesmo livro ou o mesmo texto várias
vezes. E eu, em geral, acabo me identificando com autores menos convencionais.
Entretanto, com certeza, nesse processo todo, eu tive a influência primeira de
dois grandes clássicos da Literatura em Língua Portuguesa: Fernando Pessoa e
Cecília Meireles. Pessoa é um gênio, fenomenal! Um livro da Cecília, em
especial, publicado postumamente com o título de Cânticos, me assombra cada vez que o leio... Mas o meu poeta do
coração, da alma e da alegria, sem dúvida alguma, é o velhinho simpático,
irônico e sarcástico de Porto Alegre: Mario Quintana. Para mim, Quintana
exprime uma profundidade infinita em pouquíssimas palavras. É ele, de fato,
minha influência maior. Recentemente também tenho redescoberto e apreciado
outros autores, com suas características próprias: Cora Coralina, Manoel de
Barros, Paulo Leminski e Adélia Prado. Conhecem? Pois vale a pena conhecê-los!
Um passarinho carcará me disse que você tem uma
surpresa para nos revelar...
Você pode contar um pouco deste segredinho pra
gente?
Posso, mas somente parte dele, por
enquanto. Eu tenho seis livros publicados, no formato convencional, impresso.
Mas acabei me aventurando também pelo mundo do livro digital, utilizando um
site para esse tipo de publicação. Nesse site, com textos mais visuais, é
possível ler minhas últimas publicações; sete até a presente data. O acesso é
gratuito em http://issuu.com/mlcorsatto. Agora, o segredinho a que você fez referência é que
em novembro ou dezembro farei o lançamento do meu novo livro impresso. O livro
todo foi feito com hai-kais, um tipo
de poema de origem japonesa, que possui três versos apenas (já publiquei alguns
no meu Facebook). Vamos aguardar a data e o local do lançamento, mas eu prometo
avisar e convidar todo mundo.
Obrigada por
sua participação. Temos certeza de que aprendemos muito com você!
ATIVIDADE PROPOSTA:
1- Visite o site: http://issuu.com/mlcorsatto e escolha uma das publicações que mais tenha lhe agradado. Publique-a em seu comentário e diga o por quê gostou.
2- Crie uma hai-kai . Para isto pesquisa sobre a métrica deste tipo de composição literária.
Bom trabalho a todos!
Prof Leila
