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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Entrevista - 06

Pessoal,
Nesta publicação, convidei para dividir o talento conosco, uma pessoa muito conhecida. Hoje bateremos um papo com Marcos Luciano Corsatto. Ele vai nos contar um pouco sobre um tipo de arte até então desconhecida por muitos, em que ele é fera.

Bom dia, Marcos! Seja bem-vindo ao nosso blog!
Você pode nos falar um pouquinho sobre sua arte?
Oi, Leila. A arte que eu adoro e à qual eu me dedico é a Literatura. Em especial, à literatura poética. Eu adoro ler e escrever poesia. Eu pertenço à Academia Botucatuense de Letras e, por coincidência, meu patrono é um dos grandes poetas brasileiros: Castro Alves. Confesso que desde criança, quando já comecei a escrever as minhas coisas (aqui no La Salle, inclusive), eu já tinha preferência pela poesia. Eu sei que nem todo mundo gosta, até porque, em geral, a poesia tem uma imagem, no senso comum, de ser um texto muito sentimental. Pode ser; com certeza é. Mas não é somente esse tipo de poesia que existe. No meu caso, o que eu escrevo tende mais ao caráter filosófico ou humorístico. De fato, o que eu mais gosto é de mexer com os múltiplos significados que as palavras podem ter ou expressar, de acordo com o contexto; é perceber o poder que as palavras têm, quando agrupadas ou ordenadas de certa maneira, atingindo o sentido existencial das pessoas. Para mim, isso é poesia. E é isso que eu tento fazer.

Percebi, apreciando seu trabalho, que você tem brincado muito com a imagem... Como você vê esse entrelaçamento entre a arte literária e a arte visual?
Toda arte, a meu ver, passa pelo olhar, seja ele da maneira que for. Toda obra de arte entra no coração da gente primeiro pelos olhos. Não sei se esta minha maneira de pensar reduz muito o que é a arte, mas, para mim, tudo se resume em olhar. A arte é, essencialmente, imagem. Palavras e letras são imagens, são desenhos; cinema é imagem em movimento; pintura é imagem criada; escultura é imagem tridimensional; música é imagem em som e vibração; dança é imagem em ritmo... Por isso, sempre que eu posso e que a temática me permite, eu tento dar um toque mais visual naquilo que eu escrevo. Acredito, portanto, que esse entrelaçamento é, na verdade, um enriquecimento, qualquer que seja a arte.

Em que campo da arte você gostaria ainda de se aventurar? Por quê?
Meu encantamento agora é com as inúmeras possibilidades que as diversas tecnologias colocam em nossas mãos. Fico imaginando como criar poemas em movimento, utilizando recursos visuais diversos. Uma coisa que eu percebo que tem ocorrido, nessa linha de pensamento, é quando alguns artistas famosos vão lançar uma música nova. Antes de divulgar o clipe, alguns têm publicado em seus canais no YouTube os vídeos somente com a letra das músicas. Olhem, por exemplo, estes clipes: The End of Night, da cantora inglesa Dido; Guardian, da canadense Alanis Morissette; e Limpio, cantada em espanhol pelo dueto inusitado da italiana Laura Pausini com a australiana Kylie Minogue. Não achei clipes em português... São exemplos do que eu gostaria de construir com meus textos. 

Você pode nos contar de onde vêm suas influências na literatura?
Como eu disse, eu leio muito poesia. Leio e releio o mesmo livro ou o mesmo texto várias vezes. E eu, em geral, acabo me identificando com autores menos convencionais. Entretanto, com certeza, nesse processo todo, eu tive a influência primeira de dois grandes clássicos da Literatura em Língua Portuguesa: Fernando Pessoa e Cecília Meireles. Pessoa é um gênio, fenomenal! Um livro da Cecília, em especial, publicado postumamente com o título de Cânticos, me assombra cada vez que o leio... Mas o meu poeta do coração, da alma e da alegria, sem dúvida alguma, é o velhinho simpático, irônico e sarcástico de Porto Alegre: Mario Quintana. Para mim, Quintana exprime uma profundidade infinita em pouquíssimas palavras. É ele, de fato, minha influência maior. Recentemente também tenho redescoberto e apreciado outros autores, com suas características próprias: Cora Coralina, Manoel de Barros, Paulo Leminski e Adélia Prado. Conhecem? Pois vale a pena conhecê-los!

Um passarinho carcará me disse que você tem uma surpresa para nos revelar...
Você pode contar um pouco deste segredinho pra gente?
Posso, mas somente parte dele, por enquanto. Eu tenho seis livros publicados, no formato convencional, impresso. Mas acabei me aventurando também pelo mundo do livro digital, utilizando um site para esse tipo de publicação. Nesse site, com textos mais visuais, é possível ler minhas últimas publicações; sete até a presente data. O acesso é gratuito em http://issuu.com/mlcorsatto. Agora, o segredinho a que você fez referência é que em novembro ou dezembro farei o lançamento do meu novo livro impresso. O livro todo foi feito com hai-kais, um tipo de poema de origem japonesa, que possui três versos apenas (já publiquei alguns no meu Facebook). Vamos aguardar a data e o local do lançamento, mas eu prometo avisar e convidar todo mundo.



Obrigada por sua participação. Temos certeza de que aprendemos muito com você!

ATIVIDADE PROPOSTA:
 
1- Visite o site: http://issuu.com/mlcorsatto e escolha uma das publicações que mais tenha lhe agradado. Publique-a em seu comentário e diga o por quê gostou.

2- Crie uma hai-kai . Para isto pesquisa sobre a métrica deste tipo de composição literária.
 
Bom trabalho a todos!
 
Prof Leila

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Entrevista - 05

Olá Pessoal,

Para retomar nosso percurso poético durante este segundo semestre, convidei um artista muito especial. Ele já trabalhou com linguagens artísticas inusitadas, tem um talento gigantesco e hoje é um dos melhores ilustradores de nosso país.

Eu tenho a honra de não só tê-lo como amigo, mas de termos estudado juntos. Apresento a vocês o PEPE, um artista fenomenal e um ser humano tão especial quanto.

Espero que curtam nosso bate papo!

LEILA: Conte um pouco de sua trajetória profissional. Como você se envolveu com as artes?

PEPE: Desde criança sempre tive facilidade em desenhar, na adolescência comecei a trabalhar no Museu de Paleontologia de Monte Alto, comecei então a desenvolver trabalhos artísticos na área de paleontologia, reconstituía através de fósseis muito animais e plantas extintos, depois disso voltei meu foco para arte digital, onde permaneço até hoje, desenvolvendo ilustrações para livros, revistas e publicações.

LEILA: Conhecendo um pouco do seu trabalho dá pra perceber que sua arte passeia em várias linguagens. O que gosta mais de fazer? Por quê?

PEPE: Ah o que eu mais gosto? Difícil... Ilustrações infantis, paleoarte, modelar, quando se trata de arte eu gosto de tudo, desde quadrinhos até ilustração cientifica.

LEILA: Existe algum artista que te inspira a criar seus trabalhos? Poderia nos dizer qual e por quê?

PEPE: Muitos!!! Mais o que mais gosto é com certeza um Artista chamado Bobby Chiu (http://digital-bobert.cgsociety.org/gallery/), que tem trabalhos lindos.

LEILA: Lembro-me que você trabalhava com escultura em um museu de paleontologia. Como era seu trabalho? Você tem imagens dele? Como é recriar através da arte criaturas pré-históricas?
PEPE: É um trabalho fantástico, dar vida a algo que não existe mais, o trabalho começa basicamente em desenhar e reconstituir restos fósseis do animal, depois com o esqueleto reconstituído, é hora de trabalhar como seria a musculatura, feito isso, textura de pele e cor, é um trabalho muito legal, o legal de tudo isso é ver a reação das pessoas.

LEILA: Acompanhando seu trabalho vejo que vive um momento onde a ilustração tem sido seu prazer, você pode nos contar como surgiu esta paixão e contar um pouco sobre a ilustração?

PEPE: Ilustração é uma área muito legal, é dar vida a uma história, realçar através de traços e cores a imaginação, livros são fantásticos, com ilustrações bacanas ficam melhores ainda, amo ilustrar porque assim expresso o que estou imaginando!

LEILA: Bom para nos despedirmos gostaria que você deixasse uma mensagem para os jovens que se interessaram por sua arte.

PEPE: Galerinha, pra quem gosta de arte, a minha dica é, treine, estude, procure várias referências, aprenda a lidar com as criticas, e o principal... nunca desista de seus sonhos, se você quer ser um artista de qualquer área, independente das dificuldades não desista!!!

Pra quem gostou de meus trabalhos é só ir no meu site:
pepiart.wix.com/ilustrador

Ah! quem quiser mais dicas é só me adicionar no facebook: https://www.facebook.com/pepipaleoart

Valeu pela oportunidade Leila, abração pra você e para seus alunos também!!!

Obrigada Pepe pela oportunidade de partilhar seu trabalho e talento com nosso colégio!


ATIVIDADE PROPOSTA:

 Leia a entrevista , assista o vídeo com os trabalhos do PEPE e em seguida leia o texto de apoio acessando o link http://portaldoilustrador.blogspot.com.br/2011/02/diferenca-entre-ilustracao-e-desenho.html . Agora você está pronto para  responder as questões que se seguem:

1- Você já conhecia este tipo de linguagem artística? Já tinha tido contato com ilustração e paleoarte?

2- Ao final desta experiência o que é ilustração para você? Podemos chama-la de arte?


3- Pesquise e indique aqui o nome de um ilustrador que você goste.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Entrevista - 04

Comunicado

Queridos alunos dos 1º anos do Ensino médio,


Esta semana não teremos entrevista postada, pois precisamos nos preparar para a próxima com Ualber que falará sobre a Pinacoteca de São Paulo, as estratégias facilitadoras de inclusão cultural que são desenvolvidos nos museus e seu trabalho frente a Instituição. Para tanto, precisamos discutir um pouco sobre a importancia e história dos museus. Assim, segue a postagem de um vídeo feito por estudantes de Museologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Não se esqueçam da atividade proposta que está postada após o vídeo e estará aberta para resposta somente até 06 de junho.

Bom trabalho a todos! 


Video






Atividade Proposta


1- E para você o que é museu? Diga com suas palavras como você entende sobre estes lugares expositivos?

2- Você já visitou algum museu? Você foi com sua família, amigos, ou escola? Com que frequência você visita algum tipo de museu?

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Entrevista - 03


Queridos alunos dos 1os. Anos do Ensino Médio,

Nosso entrevistado hoje é Renato Masson, artista plástico brasileiro e professor Universitário e de pós-graduação em Artes.
Ele também foi meu professor. Com certeza, sua companhia e amizade suscitou-me a paixão pela escultura e olhar crítico para a arte. Espero que vocês curtam o trabalho deste grande artista. Bom trabalho a todos!



1- Conte um pouco de sua história como Artista Plástico. Como você começou? Qual é a linguagem de arte que mais tem lhe interessado? Como você concilia sua vida de artista e professor?


 Eu comecei a me envolver diretamente com as artes quando tinha 17 anos. Meu pai, “Gilberto Masson,” que também era artista foi minha maior influência. Eu trabalhava mais com escultura, e logo nas primeiras obras fui premiado, isso me estimulou muito para seguir essa profissão. A afinidade como professor veio depois, e assim, consegui manter minha profissão ligada as artes.... Hoje trabalho com desenho, pintura e escultura. Seguindo a tendência mais contemporânea,
tento me expressar o mais livre possível.

2-Quais são suas influências artísticas? O que lhe fascina na arte?

 As minhas influências são as mais variadas possíveis. Fascinado pela antiguidade clássica, aplico os conhecimentos e técnicas modernas. O que eu mais gosto na arte é a possibilidade de ser eu mesmo como em nenhum outro momento da minha vida!

3-Conheço seu trabalho e sei que você passeia entre a escultura e a pintura com maestria. Explique no que tange a escultura um pouco de sua técnica de Cera perdida e nos diga o que é, como se faz e para que é utilizada.

 A escultura em destaque é uma arte muito ligada ao corpo expressada de várias maneiras. Tendo como foco principal o seu equilíbrio visual e natural, a obra dialoga com a sociedade de uma maneira mais palpável do que as demais, causando uma ligação do observador para com o seu meio. A obra em “Bronze” tem uma relação com o eterno, como na idade do ouro que produziam seus trabalhos projetados para ficarem, pois eles voltariam. Na fundição em cera perdida (que é um trabalho arcaico), a escultura passa num processo longo para a transformação. Primeiro é feita a escultura em qualquer material, depois um molde de silicone. Então o molde e preenchido com cera que quando endurecida é tirada do molde e revestida com gesso. Agora vem o processo de por o gesso no forno para a cera derreter e ir embora, e no seu lugar será substituído com o bronze.

4-Em sua opinião, uma pessoa não pode passar uma existência sem conhecer a obra de qual artista? Você poderia
dizer o porquê?


Em minha opinião uma pessoa não pode passar sem conhecer a obra no nosso querido “Michelangelo”, que a meu ver foi o maior revolucionário da arte.

5-Como você vê a arte contemporânea?

 A arte contemporânea e a nossa maior liberdade de expressão de todos os tempos.

6-Como você define sua trajetória e seu trabalho hoje em dia?

 Eu me sinto muito realizado por ter escolhido a profissão certa para mim, posso não ganhar muito e não ter o devido prestigio aqui no Brasil, mas amo o que faço e o maior orgulho é viver disso.



Caro Renato,

Obrigada por dividir conosco um pouco de seu talento, conhecimento e paixão pela arte. Tenho certeza de que veremos a arte com outros olhos a partir de hoje.

Abraços!

Atividade proposta:

A - O artista entrevistado durante a entrevista diz que: “uma pessoa não pode passar sem conhecer a obra no nosso querido “Michelangelo”, que a meu ver foi o maior revolucionário da arte”. Com base nestas afirmações, escreva quais as características do trabalho de Michelangelo que você percebe com mais força e aponte uma obra de sua preferência.

B - A arte contemporânea nas palavras do entrevistado nos permite criar com liberdade. Pensando nesta liberdade criativa faça uma leitura das obras de Renato Masson que estão publicadas no papel de parede e diga o que lhe impressionou no trabalho do artista.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Entrevista - 02


Queridos alunos dos 1º anos do Ensino Médio,
Nossa entrevista de hoje  é com o Robert  um  grande artista e diretor de arte com quem tive o prazer de trabalhar no Bossa Convida em 2011. Espero que vocês curtam nosso bate papo e elaborem uma excelente atividade.

Beijinhos a todos e bom feriado!



Robert


1-     Você poderia fazer uma breve descrição sobre sua trajetória no teatro?
- Meu primeiro contato com o teatro foi no La Salle no primeiro colegial onde participei de algumas montagens da Cia de Artes Cênicas que era dirigida pela Marly Bonome. Com tempo conheci outros grupos que na época atuavam na cidade e acabei trabalhando com todos eles em algum momento. Quando terminei o colegial fiquei em Botucatu por um tempo dando aulas de inglês e me afastei um pouco da atividade teatral, mas sempre ia ver os ensaios dos amigos e acompanhava os trabalhos. Retomei alguns anos depois em uma oficina coordenada pelo o Kim Marques que resultaria na montagem da peça "As Cósmicas". O processo envolvia um elenco numeroso e teve um papel significativo não só na minha trajetória, como na de muitas outras pessoas. Foi nesse momento que resolvi me dedicar ao estudo do teatro. Entrei no curso de formação de atores do Conservatório de Tatuí e lá tive a oportunidade de aprender muito sobre todas as áreas de atuação do teatro, porque além do curso eles ofereciam várias oficinas técnicas. Participei de praticamente todas, mais ativamente nas de iluminação e direção. Isso contribuiu muito para que eu descobrisse exatamente o que eu queria fazer dentro do teatro. Assim que terminei o curso fui pra São Paulo e trabalhei com algumas companhias como iluminador e assistente de direção, entre elas a Cia Pessoal do Faroeste que na ocasião fora premiada no primeiro edital da Lei de Fomento ao Teatro. Nessa época, nas minhas idas e vindas para Botucatu, montei uma peça com a minha irmã para participar de um festival que seria realizado na cidade. A peça, "Um dia de semana qualquer", marca o nascimento da Quadrilha de Teatro Notívagos Burlescos, que anos mais tarde seria o motivo da minha permanência em Botucatu. Por um tempo fiquei alternando morada entre Botucatu e São Paulo, mas as atividades dos Notívagos Burlescos cresceram tanto que tive que abandonar as viagens constantes. Hoje o grupo mantém uma associação dedicada à difusão do conhecimento teatral que oferece oficinas e workshops e através do Projeto Cultura Viva do Ministério da Cultura mantém o Ponto de Cultura Espaço dos Notívagos.

2-     Você poderia apresentar o grupo Notívagos Burlescos e descrever um pouco das atividades desenvolvidas? Conte um pouco sobre o prêmio que ganharam.
- Hoje os Notívagos são divididos em duas frentes: a Quadrilha de Teatro Notívagos Burlescos, o grupo de teatro que trabalha profissionalmente com a montagem de espetáculos, e a Associação Teatral Notívagos Burlescos, que realiza oficinas, cursos, núcleos de estudo e montagens para seus associados. No nosso ciclo semestral de atividades contamos com: Oficina de Iniciação Teatral, Oficina de Interpretação, Oficina Ator e Treinamento, Núcleo de Improviso,  Núcleo de Estética Teatral, Núcleo de Vídeo, Núcleo de Trilha Sonora e Sonoplastia e Núcleo de Prática Musical. Essas oficinas também são mantidas  pelo Projeto Cultura Viva, que também está nos permitindo equipar o espaço com computadores, equipamento de som e luz, livros e outros materiais.

3-     Quais são as influências artísticas que povoam seu trabalho?
- Minhas influências são bem heterogêneas e vão além do teatro. Amo cinema e quadrinhos e essas linguagens influenciam muito no meu trabalho como diretor, iluminador e dramaturgo. Também gosto muito de música e ela interfere diretamente no meu processo criativo. É uma injustiça, por que muita coisa fica de fora, mas cito alguns. No teatro: Bertold Brecht, Friedrich Dürrenmatt e Mario Bortolotto. No cinema: Stanley Kubrick, Federico Fellini, Woody Allen, Charlie Kaufman e Tim Burton. Nos quadrinhos: Alam Moore e Laerte. Na literatura: Julio Cortázar, Ítalo Calvino, Douglas Adams e John Fante. Com música fica mais injusto ainda, então vou citar o que tenho ouvido mais ultimamente: Ben l´Oncle Soul, Olivia Ruiz e Zeca Baleiro.

4-     E dos Notívagos Burlescos?
- A trilogia de espetáculo Ana Rosa, Mirabelli e Fidelis é muito influenciada pelo trabalho do Brecht e das montagens "Arena conta..." do Teatro de Arena. Teatro Épico e Narrativo. Sempre utilizamos técnicas de improviso na criação de peças e atualmente temos trabalhado muito com uma chamada Campo de Visão,  desenvolvida pelo Marcelo Lazzaratto, professor da UNICAMP e diretor da Companhia Elevador de Teatro Panorâmico.

5-     Como você vê o teatro hoje em dia no cenário artístico nacional?
- Nacionalmente falando não posso dizer com toda certeza. Estou mais inteirado da produção paulista de teatro. Grande parte do movimento teatral nacional está concentrado na cidade de São Paulo e não sei dizer se isso é bom ou ruim.  Em função do grande mercado de trabalho estar na capital, muitos profissionais acabam permanecendo por lá e isso acaba de certa forma prejudicando a atividade no interior. Felizmente nos últimos anos a atividade teatral no interior do estado vem ganhando força. Participamos recentemente do Projeto Ademar Guerra da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e pudemos conhecer vários grupos do estado. Percebi que existem vários grupos com trabalhos muito interessantes por aí. Penso que precisamos de mais ações do poder público que os fortaleça, promovam um intercâmbio maior entre eles e fomente a atividade onde ela não exista. Uma cidade sem um grupo de teatro é praticamente uma cidade sem alma.
Nota: Gostaria de agradecer imensamente sua contribuição para nosso Blog e ressaltar nossa admiração e respeito ao grande trabalho que você a frente da Associação Notívagos Burlescos desenvolvem para a cultura de Botucatu. O nosso muito obrigado!

Atividade Proposta:
1-  Com base na entrevista acima discurse sobre o que chamou mais atenção nas palavras de nosso entrevistado.
2-      Leia o texto de apoio e aponte as características mais significativas do teatro épico de Berthold Brecht.

Entrevista - 02 - Texto de Apoio


TEATRO ÉPICO


Histórico

Embora elementos da linguagem épica existam no teatro desde os seus primórdios, o Teatro Épico surge com o trabalho prático e teórico de Bertolt Brecht. Trata-se do resgate de um termo antigo para conceituar uma nova linguagem cênica. Essa é substancialmente organizada a partir de textos que abordam os conflitos sociais sob uma leitura marxista, encenados pelo método do Distanciamento.
A primeira montagem de um texto de Brecht no Brasil ocorre na Escola de Arte Dramática - EAD, com A Exceção e A Regra, em 1956. A primeira encenação profissional dá-se com A Alma Boa de Set-Suan, 1958, pelo Teatro Maria Della Costa - TMDC. Seguem-se Os Fuzis da Senhora Carrar, 1962, pelo Teatro de Arena, O Círculo de Giz Caucasiano, 1963, pelo Teatro Nacional de Comédia - TNC, e A Ópera dos Três Vinténs, 1964, pelo Teatro Ruth Escobar.
O Teatro Épico utiliza uma série de instrumentais diretamente ligados à técnica narrativa do espetáculo, onde os mais significativos são: a comunicação direta entre ator e público, a música como comentário da ação, a ruptura de tempo-espaço entre as cenas, a exposição do urdimento, das coxias e do aparato cenotécnico, o posicionamento do ator como um crítico das ações da personagem que interpreta, e como um agente da história. Tais ingredientes estão em algumas importantes montagens dos anos 1960. Os espetáculos Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, por exemplo, inauguram o sistema coringa, desenvolvido por Augusto Boal no Teatro de Arena, onde as soluções brechtianas são aclimatadas e empregadas em indisfarçável chave brasileira. A existência de um narrador distanciado (o coringa) opõe-se à existência do protagonista (criado à maneira realista) e o coro (que pode ora pender para um lado, ora para outro). O emprego da música como comentário, a constante troca de papéis entre os atores e os saltos no desenvolvimento da trama são alguns dos recursos mais utilizados.
O Teatro Oficina realiza encenações históricas de textos de Brecht: Galileu Galilei, em 1968, alterna cenas efetivadas ao estilo brechtiano mais ortodoxo com a cena do carnaval em Veneza, onde recursos tropicalistas surgem com desenvoltura. Na Selva das Cidades, em 1969, texto do autor prévio à teorização épica é, entretanto, encenado como uma arqueologia da cultura contemporânea, perpassado na violência dos conflitos urbanos, criando inúmeras conexões com a contracultura e o pós-tropicalismo. José Celso Martinez Corrêa, diretor das duas encenações, declara ao jornal O Estado de S. Paulo, anos antes: "O teatro épico, tendo um caráter demonstrativo, usa muitos elementos visuais e não só literários, o que o torna mais comunicativo para o público moderno, acostumado ao cinema e à tevê. O teatro épico é gostoso como um filme".1 Em visita ao Berliner Ensemble, companhia fundada por Brecht na Alemanha, José Celso descobre o humor da atriz Helena Weigel e da linguagem do grupo.
Nos anos 1970, o conjunto das propostas brechtianas passa por um redimensionamento entre os grupos brasileiros. O Pessoal do Cabaré, que desenvolve uma linguagem própria, promove uma reimpostação do teatro épico e também do sistema coringa. Valoriza-se o conjunto do grupo como autor e a especificidade de cada integrante: os atores cantam, tocam e falam de si. Não é mais o teatro épico brechtiano - mas guarda, dessa descendência, a teatralidade como o prazer de ser e se mostrar como teatro. Essa consciência de si não pode mais ser ignorada: o teatro puramente dramático está, ao que parece, enterrado.
O Teatro do Ornitorrinco, nos anos 1970 e 1980 em São Paulo, sob a liderança de Cacá Rosset e Luiz Roberto Galízia, realiza um amplo trabalho sobre Brecht. Desde um recital de poemas e canções como Ornitorrinco Canta Brecht até a encenação de Mahagonny Songspiel, uma versão curta e bastante livre da ópera originalmente criada pelo dramaturgo e Kurt Weill. Ubu, Folias Physicas, Pataphysicas e Musicaes é um espetáculo inteiramente brechtiano, lido pelo ângulo cáustico do deboche, da irreverência e do humor negro.
Na década de 1990, o dramaturgo Luís Alberto de Abreu desenvolve uma sólida atualização dos conceitos e técnicas brechtianas a partir de um projeto de investigação de uma nova Comédia Popular Brasileira. Junto ao diretor Ednaldo Freire e a Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes, encenam uma série de comédias escritas por Abreu, destinadas, originalmente, a um circuito de trabalhadores e sindicatos.
Também nos anos 1990, a crise de dramaturgia, que na década anterior levara os encenadores a mergulhar nos clássicos, dá origem a uma proliferação de montagens realizadas a partir de contos e romances. Em A Mulher Carioca aos 22 Anos, realização exemplar nesse sentido, Aderbal Freire-Filho encena na íntegra uma obra de João de Minas, fazendo as personagens assumirem as falas do narrador. A quebra da identificação entre o intérprete e seu papel e a assimilação, explícita ou não, da figura do narrador, permite um outro desdobramento do teatro épico que deixa de ser um mero recurso para se tornar opção de linguagem: a montagem de uma peça com muitos personagens por um elenco reduzido, o que obriga o diretor a lançar mão de signos-chaves para identificar os personagens. Não é mais o gestus brechtiano - mas recria a desvinculação ator/personagem.

Notas
1. CORREA, José Celso Martinez. Depoimento. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 jan. 1966.
Texto Fonte: www.itaucultural.org.br/aplicexternas/...teatro/index.cfm?...cd... Acessado em: 26/04/2012 as 7horas.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Entrevista 1 - Recado


Caros alunos dos 1os. Anos do Ensino Médio,
Diante das dificuldades relatadas por alunos quanto a postagem de suas atividades desta quinzena e por se tratar da primeira, prorrogaremos o prazo de postagem para 18-04-2012 impreterívelmente da entrevista 01. Assim, a atividade 2 entrará no ar a partir do dia 19-04-2012 com a entrevista do diretor dos Notívagos Burlescos.
Todos os comentários que estão publicados no blog foram validados.
Parabéns pelo desempenho de todos!

                                                                                  Prof.ª Leila Louzado

quinta-feira, 29 de março de 2012

Entrevista - 01


Olá meus queridos alunos do 1os. Anos do ensino médio,

Nosso primeiro contato visa nos aproximar do universo artístico e suas
significações. Assim, nesta primeira postagem segue um texto com conceitos importantes
para a nossa compreensão das futuras entrevistas.
Ao final deste, você ainda encontrará sua primeira atividade.
Boa leitura e bom trabalho!
Prof.ª Leila

ARTE: Conceitos e Linguagens

A ARTE é a interpretação do mundo; ela nos dá a possibilidade de comunicar a
concepção que temos das coisas através de procedimentos que não podem ser expressos de
outra forma. A imagem possui uma significação simbólica, pois o homem é um inventor de
símbolos(signos) que transmitem idéias complexas.
Muitos pesquisadores dedicaram seus estudos para desvendar questões como;
QUAL O SIGNIFICADO DA ARTE. PORQUE O HOMEM CRIA. E chegaram a
conclusão de que seria impossível estabelecer um consenso sobre estas questões, pois, a
criação artística é uma das atividades humanas mais complexas e subjetivas que existem.
Assim, estes mesmos pesquisadores estabeleceram critérios para validar o processo
de produção da Obra de Arte. Para uma obra ser considerada como arte, a mesma necessita
portar-se:
- da intenção do artista em criar e produzir a obra de arte, mesmo quando ela é instintiva.
- da idéia do artista que desencadeará o processo de criação organizado e segmentado,
muito importante na obra de arte moderna e contemporânea.
- da poética pessoal do artista que impregna a obra de arte de significações.
A partir destes critérios então, é que estabelecemos duas vertentes interpretativas
para a produção artística, a fim de, facilitar a leitura e compreensão das obras, que são
utilizadas como um dos meios pelos quais, o artista interpreta o mundo. Pela arte abstrata e
pela arte figurativa então, o artista atribui sentido a realidade que o cerca.
Podemos conceituar as mesmas da seguinte maneira:

- Arte figurativa: é aquela que retrata a figura de um lugar, objeto ou pessoas de forma que
possa ser identificado (signo comum), reconhecido. Abrange desde a figuração realista
(parecida com o real) até a estilizada (com traços individualizados).

- Arte abstrata: è aquela que utiliza as cores, formas e texturas, sem retratar nenhuma
figura. Cada observador fará sua significação. Ela pode ser geométrica ou informal
(sensível).

Para finalizar, é importante ressaltar que é por meio da criação do artista que a obra
se permite criar cenas, resignificar conceitos, transpor objetos, experimentar sons e
movimentos e interpretar inúmeros personagens. Esta diversidade de meios e objetivos
resultam em diferentes modalidades / expressões, cuja classificação se faz através das
LINGUAGENS DE ARTE que são:

1- Música: arte de experimentar sons provindos de instrumentos ou da vocalização
(voz).
2- Dança: arte de experimentar movimentos com o corpo
3- Teatro: arte da dramatização.
4- Arte visual: toda composição que obtiver aos olhos do expectador uma imagem Ex:
Artes plásticas (pintura, escultura e desenho), fotografia, cinema, web art, vídeo art,
body art, Instalação, Interferência, Performance, desenho de animação, arte naiff,
mangá.
5- Híbrida: utiliza mais de uma linguagem simultânea Ex: Cirque Du Soleil
6- Convergente: utiliza os signos da arte, mas seu foco não é a produção artística. Ex:
arquitetura, peças publicitárias.

ATIVIDADE PROPOSTA:

1- A fim de contextualizar o conteúdo acima, escreva um comentário, fazendo a leitura
sensível de suas impressões a respeito de:
- 1 obra abstrata
- 1 obra figutiva
Estas poderão ser de sua livre escolha, tanto no que diz respeito ao período quanto ao
artista . Não se esqueça de indicar o nome da obra e seu criador.